Wednesday, November 18, 2009

5 coisas que um homem não deve dizer a uma mulher

No jantar do primeiro encontro
1 - Puta que pariu, 200 reais!?!?
2 - Eu pago agora e você paga depois.
3 - Dá licença que eu vou dar uma seringada.
4 - Tenho que ir ao banheiro, o camarão já tá fazendo efeito.
5 - Tá explicada a conta. Só o seu prato foi R$60.

Depois do sexo
1 - Você fez tudo certinho.
2 - Foi ótimo, mas ainda não bateu a vez que eu comi aquela garota boa pra caralho lá em Porto Seguro.
3 - Minha ex-namorada chupava muito bem.
4 - Desculpa, mas eu gosto de ficar sozinho depois que gozo. Depois a gente se fala.
5 - Sabe aquela hora que eu coloquei a camisinha? Então: era mentira! Te engane-ei, te engane-ei!

No email
1 - "Gata, derrepente vc topa faser uma viajem comigo?"
2 - "FoI DiMaiXXX oNtEm Di NoIti!"
3 - "voce sabe eu queria ver voce de novo mas nao sei quando posso me liga quando vc puder ai a gente combina tenta amanha..."
4 - "Passe esse email para 20 amigos e um desejo vai se realizar. Se não passar, você vai perder as duas pernas em duas horas."
5 - "Era assim que eu queria ontem" (título do email: As Melhores Chupadas da Rede)

Apresentando pros amigos
1 - Essa aqui é a Vânia, quer dizer, a Luana.
2 - Essa aqui é a Luana. Ela que eu falei que faz aquele barulho quando ta gozando.
3 - Essa aqui é a Luana. É por causa dela que eu não faço mais porra nenhuma com a galera.
4 - Essa aqui é a Luana. To preso em casa mas to trepando bem mais que vocês!
5 - Namorada? Não, essa aqui é a Luana...

Conhecendo sua família
1 - A Luana tem essa cara de santinha, mas vou te falar que ela não é santa não!
2 - To com uma idéia incrível, ta a fim de entrar com uma grana não?
3 - Eu trouxe um livrinho da Herba Life pro pessoal dar uma olhada aí de bobeira.
4 - Passa o sal que a comida ta meio sem gosto.
5 - Bom saber que um dia tudo isso vai ser meu.

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Wednesday, November 11, 2009

Simone de Beauvoir

Conheci Simone de Beauvoir depois de achar "A Convidada" esquecido em uma prateleira empoeirada lá de casa. A minha casa tinha disso: dezenas de clássicos mal organizados onde um dia os meus pais se lambuzaram. E eu passei a adolescência desvendando essas prateleiras e, vez ou outra, descobrindo autores que me acompanhariam ao longo da vida.

Assim foi com Simone. Devorei "A Convidada" e tratei de procurar outro livro dela na minha biblioteca esquecida particular. Encontrei "Todos os homens são mortais", romance que ganhou o Nobel de Literatura. Pronto, estava decretada a paixão por essa escritora.

Mas eu não sabia que ela era feminista. Eu tinha uns 20 anos quando dei uma lida em "O Segundo Sexo", e descobri do que se tratava, na verdade, Mme Beauvoir. E nunca mais esqueci de uma frase: "A mulher só conquista quando se faz de presa". Quanta verdade! Uma verdade que eu nunca consegui seguir. Mas que eu via que dava certo, quando praticada por meninas mais sabidas e malandras que eu.

E depois eu soube que ela, mesmo feminista, e casada em casas separadas com o Sartre, escrevia pedaços do romance do marido e deixava que ele assinasse. Até a mais feminista das mulheres se rende à vida da Amélia quando está apaixonada. É como disse a Madonna: "Toda mulher quer lavar a cueca do marido". Até Simone de Beauvoir! E eu não acho errado. Acho lindo Simone lavando as cuecas do Satre. Acho uma prova de amor.

E, pensando em tudo isso, decidi pagar os R$80 do ingresso para assistir Fernanda Montenegro encenando "Viver sem tempos mortos". Sim, são R$80 reais que me farão muuuita falta. Não, eu não tenho carteira de estudante, por motivos de vergonha na cara. Sim, meus amigos e meu namorado me acham maluca de pagar tanto, e por isso eu vou sozinha.

Mas, veja bem: estamos falando de um texto baseado nas cartas de Simone a Sartre, interpretado por Fernanda Montenegro e dirigido por Felipe Hirsch! Eu não gosto de teatro. Mas eu gosto dessa combinação. E gosto de estar sozinha nessas horas, pra absorver melhor o que está acontecendo no palco.
Eu vou. E depois eu conto como foi.

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Wednesday, November 04, 2009

Vizinhos

Meus vizinhos são ótimos. Não conheço ninguém pessoalmente, mas só o fato de não ter recebido uma única reclamação depois de uma dúzia de festas bombantes já me faz simpatizante dos meus companheiros de prédio. Uma vez, conheci por acaso a menina que morava no apartamento logo abaixo do meu. Ela mora lá com o avô, o que me fez ficar muito envergonhada por todos os sábados de barulheira na minha casa. Mas, para a minha surpresa, ela disse que nunca ouviu nada demais vindo do andar de cima, e eu fiquei de convidá-la para a próxima festa. Mas a verdade é que eu nunca convidei. Tipicamente carioca.

A minha vizinha da frente gosta de ouvir Ivete Sangalo bem alto. Às vezes é bem irritante, ainda mais porque é impossível ouvir a TV quando ela tem esses acessos de animação. Mas não, eu nunca pedi pra abaixar o som. Principalmente depois que uma turma de amigos alcoolicamente alterados confundiu os apartamentos e acabou tocando no lado de lá quando já era 1h da manhã. Ela não disse um ai. Então eu também não digo.

Em cima do meu apartamento mora um menino de uns cinco anos chamado Vitor. O Vitor toca o rebu toda vez que vai tomar banho: graças à acústica privilegiada do meu prédio, posso ouvir a empregada implorando pro moleque ficar quieto e parar de jogar água nela. O Vitor me faz questionar seriamente se vale a pena ter filhos. Mas a verdade é que quando o encontrei no elevador, achei aquele garotinho tão fofo que até esqueci que ele é um capeta. É assim que as crianças enganam a gente.

Uma vez, a minha vizinha do térreo distribuiu uma carta por todos os moradores da minha coluna pedindo gentilmente que parassem de jogar camisinhas usadas no quintal dela. A carta tinha um tom sarcástico que me fez querer chamar a tal vizinha pra um chá: "Fico feliz que meus vizinhos da coluna 3 tenham a vida sexualmente ativa, e mais feliz ainda de que estejam fazendo sexo com proteção. Mas o meu quintal não é lata de lixo", dizia o recado. E acho que deu certo. Ou alguém parou de fazer sexo, ou parou de jogar as camisinhas lá embaixo.

Outro dia fui pagar a minha vaga alugada na garagem do prédio e descobri que a dona da vaga tem duas irmãs absolutamente iguais a ela. São três senhorinhas baixinhas e gordinhas, que moram no prédio há muito tempo. Bem simpáticas, me convidaram pra um café e um bolo, que eu tive que recusar. Vizinho bom é vizinho distante.

Lembrei de como sou sortuda com meus companheiros de porta por causa do episódio de uma amiga que acabou de comprar um apartamento. No dia do Open House do cafofo, um chatinho que mora no prédio foi exigir o fim do encontro às 23h. E era domingo, véspera de feriado.
Que saco. Deve ser muito ruim viver cercada de gente desse tipo.

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Wednesday, October 28, 2009

Faça a coisa certa

Sofro da Síndrome da Helena do Manoel Carlos: tenho a mania de querer fazer tudo bem certinho. De ser correta e ética em todos os momentos da minha vida. De trazer o bem, de fazer crescer, de ser uma pessoa quase iluminada. Mas acontece que tenho comigo uma certa dose de maldade que não me abandona.

Não é tão fácil nem tão óbvio assim fazer a coisa certa. Às vezes a gente sabe o que é certo, mas finge que não tá entendendo e acaba caindo pro errado só pela diversão.

Eu sofro com isso. Eu me culpo por escolher a diversão e não a perfeição. Até porque correr atrás da perfeição, além de inútil, é frustrante. Mas eu me culpo. E carrego uma grande cruz por ser somente mais um ser humano no mundo. Nasci pra ser milionária, mas me fizeram jornalista. Nasci pra ser Joana D'Arc, mas me fizeram Bruna Paixão. Um ser pequeno e mesquinho como qualquer outro ali da esquina. Um ser demasiadamente humano que não veio agradeciado com aquela estrela dos homens incríveis.

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Saturday, October 24, 2009

Dostoiévski

Redescobri meu escritor preferido. Foi um dia em que eu andava pela Avenida Paulista, e vi vendendo em uma banca de jornal alguns dos livros do melhor escritor de todos os tempos. Eu já tinha comprado dois livros no aeroporto do Rio, mas não resisti e acabei embolsando mais um. Dost é Dost. Não há comparação.

Comprei Notas do Submundo, um livro de contos que deu origem à Crime e Castigo, o mais maravilhoso (e perigoso) romance já escrito. É um livro bem fininho, pequenininho, mas intenso. A cada frase lida, dá vontade de reler, só pra fixar melhor o que o cara quis dizer. Dá vontade de decorar o livro pra ver se eu me torno uma pessoa menos medíocre. E, quando você termina uma página, tem a sensação de que ele levou um ano pra escrevê-la, tamanha a profundidade que o pensamento do Dost alcança. Dostoiévski é um tesão.

Com tanta coisa a dizer e tanto sendo pensado, eu juro que fiquei imaginando como era a vida dele com a mulher. Como é sentar com Dostoiévski no café da manhã, discutir para onde vão no fim de semana, preparar um jantar para os amigos. Como é trepar com Dostoiévski, pelo amor de deus? Será que ele era sempre assim, incrivelmente intenso? Será que ele tinha sempre algo indefinivelmente necessário a ser dito?

Como todos os outros gênios, ele devia sofrer. Eu admiro que escolhe o caminho do sofrimento em nome da arte. Eu não conseguiria. Nem ninguém que eu conheço. Todos os que me rodeiam, até os mais inteligentes, parecem filhotes de subpensadores quando comparados aos grandes nomes. Houve um tempo em que eu queria ser assim, grande também. Em que eu lia Clarice Lispector aos montes, e sofria, e achava que sorrir era para palhaços ou para ocasiões extremamente necessárias. Mas depois vi que não dava pra viver assim: mesmo que eu me tornasse a pessoa que menos sorria no mundo, nunca seria Clarice Lispector. Muito menos Dost. Quem sabe, forçando uma barra, eu chegava num Paulo Freire...

Mas também não importa. Eu estou aqui pra ler todos eles, sem acreditar como alguém pode ter ecsrito aquilo. Estou aqui pra perguntar na rua onde as pessoas gostam de fazer sexo. E pra tomar chopes e fazer viagens no fim do ano, que continuo pagando ano adentro.
E você acha que tá ruim assim?
Não. Tá ótimo!

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Wednesday, October 21, 2009

Não há admiração mais deliciosa que a do inimigo

Mais um texto em que o título não é meu. Dessa vez, a frase é de Nelson Rodrigues. Essa frase tem uma certa verdade maldade irresistível. Porque todos nós somos um pouco maus. Não importa o quanto a gente lute contra isso.

As pessoas que me odeiam me deixam muito intrigada. Porque eu acho que ter um inimigo é o mesmo que ter um admirador. Como Nelson Rodrigues disse, é uma admiração raivosa da parte do outro. É acreditar que seu desafeto é mais que você. E que merece a sua atenção. É lisonjeiro ter inimigos.

Eu não odeio ninguém. No máximo, classifico um desafeto como "chato". Mas querer mal, querer ver sofrer, isso eu não desejo pra ninguém. A não ser, é claro, que alguém faça mal a uma pessoa que eu ame. Aí viro um bicho cheio de garras e dentes arreganhados.

Mas é claro que tenho inimigos. Uns velados, outros de cara limpa, e esses eu respeito mais. O que eu não entendo é por que a minha vida pode despertar inveja, raiva, violência. Não sou rica, não sou famosa, não sou magra como gostaria de ser. Os meus cabelos são esticados e pintados, ganho menos do que eu acho que merecia ganhar. Tenho um namorado inteligente e com quem me divirto bastante, muitos amigos e uma família legal, é verdade. Mas isso é suficiente para incomodar alguém?

Não gosto de algumas pessoas. Não sou obrigada a gostar de todo mundo; ninguém é. Mas pra esses eu só dirijo um leve desprezo. E não deixo que participem da minha vida. Pra mim, basta uma vez pra que eu risque alguém do meu caderninho. Continuo me surpreendendo com gente que gasta tempo pensando em como me atingir. Fico assustada e... vaidosa.

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Sunday, October 11, 2009

Vestido de noiva

Hoje sonhei que ganhava um vestido de noiva de uma grande amiga que não vejo há muito tempo. Ela mora na Austrália, mas no meu sonho vinha visitar o Brasil e trazia na mala vários vestidos de noiva para presentear as amigas. Fiquei feliz ao ganhar o meu vestido, mas achei estranho ser presenteada com um tipo de roupa tão específico. "Que que eu vou fazer com isso?" - eu pensei. Mas vesti o presente mesmo assim.

Pra minha surpresa, o vestido já era usado. E, mais do que isso, ele já estava todo rasgado e remendado, velho demais pra mim. A noiva que tinha usado o vestido antes havia casado grávida, e por isso sobrava um bom pedaço de tecido na minha barriga. Enfim, o vestido era um desastre, e no sonho eu só pude me lamentar e guardar o presente sabendo que ele nunca seria usado.

Só à noite fui me dar conta do que significava esse sonho. Até o fato de a minha amiga ter aparecido acompanhada de um homem lindo e louro, e não o pai de seu filho, fez-se claro pra mim. Achei engraçado entender tudo de uma só vez, como uma pancada na cabeça. Mas o significado vai ficar só pra mim. Os curiosos que tirem as suas conclusões.

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